No Centro, Só o Cu: O Que Olavo de Carvalho Pensava Sobre a Neutralidade na Política

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Quando Não Escolher Também É Escolher: A Visão de Olavo de Carvalho Sobre o Isentismo

Para Olavo de Carvalho, essa pergunta jamais foi apenas eleitoral. Ela dizia respeito ao caráter, à responsabilidade moral e ao compromisso com aquilo que ele chamava de realidade.

Ao longo de décadas de escritos, aulas e entrevistas, Olavo combateu de forma constante o denominava "isentismo". Em sua visão, a neutralidade, quando aplicada a disputas que ele considerava civilizacionais, não era uma demonstração de prudência, mas uma forma de omissão.

Sua frase mais conhecida sobre o assunto resume esse pensamento de maneira direta:

"Ou você é pró-comunista, ou é anticomunista. No centro, só o cu."

A frase, provocativa e típica do estilo de Olavo, não era apenas uma crítica ao chamado "centrismo". Ela condensava uma visão muito mais ampla sobre a natureza dos conflitos políticos.

Para Olavo, a política nunca foi uma disputa comum

Olavo afirmava repetidamente que o maior erro da direita era tratar o embate político como uma simples competição eleitoral.

Segundo ele, quando um lado busca transformar profundamente as instituições, a cultura, a educação, a imprensa e o próprio conceito de liberdade, a disputa deixa de ser apenas entre partidos.

Ela passa a ser, em sua interpretação, uma disputa entre projetos incompatíveis de sociedade.

Por isso, dizia que tentar ocupar um "meio-termo" entre esses projetos significava ignorar a realidade do conflito.

A neutralidade beneficia quem está organizado

Uma das ideias mais recorrentes de Olavo era que a política produz consequências objetivas.

Segundo ele, pouco importa aquilo que alguém pretende demonstrar.

O que realmente importa é o resultado produzido por suas escolhas.

Sob essa lógica, um partido que decide permanecer neutro entre um candidato assumidamente comunista e outro assumidamente conservador não estaria simplesmente "lavando as mãos".

Na visão de Olavo, estaria alterando o equilíbrio da disputa.

E essa alteração inevitavelmente favoreceria um dos lados.

Por isso ele afirmava que:

Não escolher também é uma escolha.

O isentismo como ilusão

Olavo costumava utilizar a palavra "isentismo" para definir aqueles que, diante de disputas políticas profundas, recusavam apoiar qualquer dos lados.

Segundo ele, muitos acreditavam preservar sua pureza moral.

Na realidade, dizia Olavo, apenas entregavam vantagem ao adversário mais disciplinado.

Para ele, a história demonstrava que movimentos revolucionários nunca deixaram de avançar porque seus adversários permaneceram neutros.

Pelo contrário.

Avançaram justamente porque encontraram resistência fragmentada, dividida ou preocupada em parecer imparcial.

O partido que se declara neutro

Se perguntado como avaliaria um partido político que, diante da escolha entre um candidato declaradamente comunista e outro declaradamente conservador, resolvesse permanecer neutro, a resposta de Olavo provavelmente seguiria a lógica presente em seus inúmeros textos.

Ele diria que esse partido deixou de cumprir sua responsabilidade política.

Para Olavo, partidos existem para representar valores.

Quando deixam de defender seus próprios princípios justamente no momento decisivo, deixam também de exercer sua função.

Na sua visão, neutralidade institucional, nesses casos, transforma-se em omissão institucional.

Em resumo, para Olavo de Carvalho, quando um partido adotava uma posição neutra entre dois candidatos em uma disputa considerada decisiva, essa neutralidade tendia a ser vista por ele como uma forma indireta de beneficiar um dos lados, especialmente se a omissão enfraquecesse o campo político que ele considerava mais próximo de seus princípios.

A responsabilidade dos líderes

Olavo dizia frequentemente que lideranças têm deveres diferentes daqueles do cidadão comum.

Quem ocupa posição de influência carrega responsabilidade proporcional ao poder que possui.

Por isso, segundo ele, líderes políticos não podem esconder-se atrás de discursos genéricos de equilíbrio quando consideram que princípios fundamentais estão em jogo.

Para Olavo, liderança exige coragem para assumir posição.

Mesmo quando isso produz desgaste.

A responsabilidade do eleitor

Ao eleitor, Olavo dirigia uma crítica igualmente dura.

Segundo ele, muitos brasileiros buscavam candidatos perfeitos.

Enquanto isso, deixavam de apoiar aqueles que, embora imperfeitos, representavam objetivos compatíveis com seus próprios valores.

Olavo costumava repetir que política não é um concurso de santidade.

É uma escolha prática entre alternativas reais.

Esperar o candidato ideal enquanto rejeita todas as opções disponíveis significaria, em sua visão, abandonar o campo político ao adversário.

A consequência da omissão

Olavo acreditava que a história não absolve aqueles que deixam de agir quando os acontecimentos exigem decisão.

Para ele, omissões também produzem consequências.

Assim como votos.

Assim como alianças.

Assim como discursos.

A neutralidade não impediria o avanço de um projeto político.

Apenas retiraria resistência daquele avanço.

A principal lição que Olavo procurava transmitir

Se fosse necessário resumir sua posição em poucas palavras, talvez fosse esta:

Quando dois projetos incompatíveis disputam o futuro de um país, permanecer neutro não significa estar acima da disputa. Significa participar dela sem assumir responsabilidade pelo resultado.

Era exatamente por isso que Olavo combatia aquilo que chamava de "isentismo".

Na sua compreensão da política, a neutralidade não suspendia a batalha.

Apenas definia, silenciosamente, quem teria menos oposição.

Conclusão

Independentemente da forma como se avaliem suas ideias, o pensamento de Olavo de Carvalho sobre a neutralidade permaneceu notavelmente consistente ao longo de sua trajetória intelectual.

Para ele, política nunca foi o espaço da acomodação entre projetos inconciliáveis.

Era o campo onde princípios produzem escolhas, escolhas produzem consequências e consequências moldam a história.

Por isso, sua crítica ao "centro" não era apenas uma provocação retórica.

Era a expressão de uma convicção: diante de disputas que considerava fundamentais, ninguém permanece realmente neutro. Apenas escolhe, consciente ou inconscientemente, qual dos lados será beneficiado por sua omissão.

reginaldod
reginaldod 12 heures depuis
Esses partidos são o câncer.
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