Quem Explora Quem? Estado um Sócio Oportunista no Jogo do Empreendedorismo

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O verdadeiro lucro — e a verdadeira justiça — só virá quando reconhecermos quem, de fato, sustenta quem e se devemos continuar com isso ou se devemos nos reinventarmos enquanto nada muda. 

Em uma sociedade onde o discurso oficial frequentemente pinta o empreendedor como o grande vilão – o explorador implacável de trabalhadores, o acumulador de riquezas às custas do povo –, uma simples imagem viral, circulando nas redes sociais, expõe a hipocrisia desse narrativa. Nela, vemos um empreendedor suado, pedalando uma bicicleta enferrujada pela cidade, confrontado por um coelho antropomórfico representando a Receita Federal.

No primeiro painel, quando a empresa dá errado, o Estado declara: "Prejuízo seu!". No segundo, quando há lucro, o tom muda para "Nosso lucro!".

À direita, um Estado obeso, devorando um hambúrguer, simboliza a gula insaciável do aparato público. Essa charge, não é apenas humor; é uma crítica afiada ao desequilíbrio de poder entre o setor privado e o governo, especialmente no Brasil, onde a carga tributária asfixiante e a burocracia labiríntica transformam o Estado em um parasita seletivo.

Quem, afinal, explora quem?

O empreendedor, muitas vezes idealizado como o herói capitalista, na realidade assume todos os riscos. Ele investe capital próprio ou emprestado, contrata funcionários, paga salários, benefícios e encargos sociais – independentemente de o negócio prosperar ou afundar. Se a empresa falir, o prejuízo é integralmente dele: demissões, dívidas, falência pessoal.

O Estado? Ele se distancia, lavando as mãos como Pilatos. Não há reembolso de impostos pagos antecipadamente, nem socorro para os empregos perdidos. Pelo contrário, a máquina estatal continua cobrando multas, juros e execuções fiscais, agravando a ruína. É o empreendedor quem arca com as consequências, sozinho, em um sistema que pune o fracasso com mais burocracia e penalidades.

Mas ai do empreendedor que ousar ter sucesso! Aí o Estado surge como um "sócio" não convidado, reivindicando uma fatia generosa dos lucros via impostos sobre renda, faturamento, importações e tudo mais que se mova na economia. No Brasil, a carga tributária chega a 33% do PIB, uma das mais altas do mundo emergente, segundo dados do Banco Mundial. Empresas pagam IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ICMS, ISS – uma sopa de siglas que devora até 40% dos ganhos líquidos. E para quê? Para financiar um Estado inchado, com salários públicos acima da média privada, privilégios vitalícios e ineficiências crônicas, como saúde pública precária e educação deficiente. O coelho da Receita Federal, com seu martelo comunista no logotipo alterado, ilustra perfeitamente essa voracidade: "Nosso lucro!", grita, enquanto o empreendedor pedala exausto.

Pior ainda é a narrativa ideológica que o Estado propaga. Através de discursos políticos, mídia alinhada e até currículos escolares, o empreendedor é demonizado como o "patrão explorador". Sindicatos e movimentos sociais, muitas vezes financiados indiretamente por verbas públicas, fomentam a luta de classes: patrões versus empregados, ricos versus pobres. Ignora-se que sem empreendedores não há empregos, inovação ou crescimento econômico. Quem gera riqueza? O setor privado, que responde por 70% do PIB brasileiro, de acordo com o IBGE. O Estado, por sua vez, não produz; apenas redistribui – mal, diga-se de passagem, com corrupção endêmica e desperdícios bilionários, como os escândalos da Petrobras ou os superfaturamentos em obras públicas.

Essa inversão de papéis é uma forma sutil de exploração. O Estado se beneficia unilateralmente: coleta impostos para sustentar sua estrutura obesa, mas não compartilha riscos. É um sócio que só aparece na hora do dividendo, deixando o empreendedor lidar com regulamentações sufocantes, fiscalizações arbitrárias e uma justiça trabalhista enviesada, que frequentemente favorece o empregado em detrimento da viabilidade do negócio. Resultado? Milhares de empresas fecham anualmente no Brasil – mais de 1,4 milhão em 2022, segundo o Sebrae –, sufocadas por impostos e burocracia. Enquanto isso, o Estado engorda, com arrecadação recorde de R$ 2,3 trilhões em 2023, conforme a Receita Federal.

Não se trata de defender um capitalismo selvagem sem regulação. Impostos são necessários para serviços públicos essenciais. Mas quando o sistema tributário é regressivo – penalizando mais os pequenos e médios empreendedores do que os grandes conglomerados com isenções fiscais –, e quando o Estado vende a imagem do privado como vilão para justificar sua ineficiência, estamos diante de uma exploração invertida. O cidadão comum, incluindo o trabalhador, acaba pagando a conta: menos empregos, produtos mais caros e um ciclo de dependência estatal.

É hora de Mudar 

Para um Brasil próspero, precisamos de um Estado enxuto, parceiro genuíno – não um oportunista que lucra na bonança e abandona na tempestade. Senão, continuaremos pedalando em bicicletas enferrujadas, enquanto o Estado devora hambúrgueres à nossa custa.

Empreender no Brasil hoje é um ato de heroísmo quase quixotesco. Diante de uma carga tributária esmagadora, burocracia kafkiana, fiscalizações implacáveis e um Estado que se apresenta como "sócio" apenas nos dias de festa, o empreendedor brasileiro assume sozinho todos os riscos: capital, suor, noites sem dormir, dívidas pessoais e a responsabilidade por dezenas, centenas ou milhares de famílias que dependem de seus salários.

Ele é o herói que sustenta a máquina inteira — paga impostos que financiam salários públicos, aposentadorias privilegiadas, obras superfaturadas e uma rede assistencial que, sem sua geração de riqueza, simplesmente colapsaria.

No entanto, quando o vento vira, quando a economia aperta, quando a concorrência desleal ou a inflação corroem as margens, é ele quem quebra: fecha as portas, demite, declara falência, perde patrimônio e, muitas vezes, carrega o estigma de "fracassado" ou "explorador" que o discurso oficial adora colar.

Imagine essa imagem que captura essa realidade brutal: o empresário exausto empurrando uma bola gigantesca de impostos morro acima; e um trabalhador solitário carregando nas costas o peso de um Estado obeso e voraz. Essas representações não são exageros — são espelhos da nossa sociedade.

No final das contas, vale a pena repensar tudo isso. O empreendedor não é o vilão da história — ele é o motor que move o país, o único que realmente pode se dar mal de verdade. Sem ele, não há arrecadação, não há empregos, não há inovação. É hora de reorganizar o jogo: exigir um Estado parceiro, não parasita; tributação justa e inteligente; menos perseguição e mais incentivo. Porque enquanto o herói continuar pedalando sozinho na bicicleta enferrujada, carregando o estado gordo nas costas, o Brasil seguirá preso no mesmo ciclo de pobreza e dependência.

A justiça — só virá quando reconhecermos quem, de fato, sustenta quem e se devemos continuar com isso ou se devemos nos reinventarmos enquanto nada muda. 

 
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