Os partidos do Centrão estão entre os que mais recebem recursos públicos no Brasil — tanto do Fundo Partidário (manutenção permanente) quanto do Fundo Eleitoral (quase R$ 5 bilhões em 2026). Siglas como PP, Republicanos, União Brasil, MDB e PSD concentram centenas de milhões de reais, o que lhes dá enorme poder de barganha nas eleições.
Nesse cenário, o jornalista Caio Junqueira (CNN) afirmou em rede nacional que setores do Judiciário e da Polícia Federal atuaram, operaram e sinalizaram que seria melhor os partidos do Centrão investigados — especialmente no caso Master — não aderissem à campanha de Flávio Bolsonaro.
De acordo ele, o “fator medo” está em jogo: a ameaça de aprofundamento de investigações funciona como pressão para que o Centrão evite apoiar uma chapa pura de Flávio e prefira maximizar ganhos eleitorais nos estados, sem se alinhar abertamente à candidatura bolsonarista.
O que fica revelado: quem controla o dinheiro público (os fundos) e quem controla as investigações (o sistema) está moldando as alianças de 2026.
FUNDO ELEITORIAL E FUNDO PARTIDÁRIO, QUANTO CADA PARTIDO RECEBE:
Os principais fundos públicos que os partidos políticos recebem no Brasil para atividades e campanhas são o Fundo Partidário e o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC, conhecido como Fundo Eleitoral ou “Fundão”).
Existem também doações de pessoas físicas, recursos próprios de candidatos e outras fontes menores, mas o financiamento é majoritariamente público após a proibição de doações de empresas (pessoas jurídicas) pelo STF em 2015.
Fundo Partidário (Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos)

-Principais valores de 2025 (dotação orçamentária aproximada; multas adicionais):
1-PL ≈ R$ 192,2 milhões
2-PT ≈ R$ 140,5 milhões
3-União Brasil ≈ R$ 107,1 milhões
4-Republicanos ≈ R$ 87,7 milhões
5-PSD ≈ R$ 84,2 milhões
6-MDB ≈ R$ 82 milhões
7-PP ≈ R$ 71,2 milhões
8-Podemos ≈ R$ 53,8 milhões
9-PSB ≈ R$ 49,5 milhões
10-PSOL ≈ R$ 47,4 milhões
11-PDT ≈ R$ 40,6 milhões
12-PRD ≈ R$ 31,3 milhões
13-Solidariedade ≈ R$ 27,9 milhões
14-Avante ≈ R$ 27,1 milhões
15-PSDB ≈ R$ 26,6 milhões
16-PCdoB ≈ R$ 18,2 milhões
17-Cidadania ≈ R$ 14,9 milhões
18-Rede ≈ R$ 12,1 milhões
19-PV ≈ R$ 11,8 milhões.
20-Partidos que não atingiram a cláusula (ex.: Novo, Agir, DC, PSTU etc.) receberam R$ 0.
-Origem: Dotações orçamentárias da União (orçamento federal, ou seja, recursos públicos vindos de impostos), multas e penalidades eleitorais, doações de pessoas físicas depositadas em contas específicas e outros recursos previstos em lei.
-Periodicidade: Repasses mensais (duodécimos) o ano inteiro, independentemente de eleições.
-Onde pode ser aplicado: Manutenção permanente dos partidos — despesas administrativas (aluguel de sedes, contas de água/luz, salários de funcionários), serviços jurídicos e contábeis, propaganda partidária/doutrinária, alistamento e filiação, criação/manutenção de fundações ou institutos de pesquisa e educação política (mínimo de 20% em alguns casos), incentivo à participação feminina (mínimo de 5%), impulsionamento de conteúdo na internet e outras necessidades internas. Pode ser usado em campanhas em certos casos, mas o foco é a estrutura do partido.
-Critérios de distribuição: 5% igualmente entre partidos que cumprem a cláusula de desempenho (barreira); 95% proporcionalmente aos votos obtidos na última eleição para a Câmara dos Deputados. A cláusula exige, em regra, pelo menos 3% dos votos válidos nacionais (distribuídos em 1/3 das UFs com mínimo de 2% em cada) ou eleger pelo menos 15 deputados federais distribuídos em 1/3 das UFs (regras progressivas até 2030).
-Valores recentes: Em 2025, cerca de R$ 1,126 bilhão de dotações orçamentárias + R$ 102,6 milhões em multas, distribuídos a 19 partidos. Para 2026, a previsão orçamentária gira em torno de R$ 1,43 bilhão.
Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC / Fundo Eleitoral)
Valor total para 2026: R$ 4.961.519.777,00 (cerca de R$ 4,96 bilhões), distribuído a 30 partidos.
Valores aproximados do FEFC 2026 por partido (arredondados; dados oficiais do TSE):

1-PL: R$ 881,7 milhões
2-PT: R$ 615,4 milhões
3-União Brasil: R$ 526,2 milhões
4-PSD: R$ 421,0 milhões
5-PP: R$ 417,1 milhões
6-MDB: R$ 400,0 milhões
7-Republicanos: R$ 348,6 milhões
8-Podemos (PODE): R$ 246,0 milhões
9-PDT: R$ 169,3 milhões
10-PSB: R$ 152,3 milhões
11-PSDB: R$ 147,9 milhões
12-PSOL: R$ 131,5 milhões
13-Solidariedade: ≈ R$ 88,5 milhões
14-Avante: R$ 72,5 milhões
15-PRD: R$ 71,8 milhões
16-PCdoB: R$ 60,5 milhões
17-Cidadania: R$ 60,2 milhões
18-PV: ≈ R$ 45,2 milhões
19-Novo: R$ 37,0 milhões
20-Rede: R$ 35,8 milhões
21-Demais (Agir, DC, Democrata, Missão, Mobiliza, PCB, PCO, PRTB, PSTU, UP e similares): cerca de R$ 3,3 milhões cada (cota mínima de 2%).
OBS: PL, PT e União Brasil concentram cerca de 40% do total.
-Origem: Dotações orçamentárias da União (Orçamento Geral da União / LOA), transferidas pelo Tesouro Nacional ao TSE. Criado em 2017 (Leis 13.487 e 13.488) como alternativa após o fim das doações empresariais.
-Periodicidade: Somente em anos eleitorais (ex.: 2026).
-Onde pode ser aplicado: Exclusivamente financiamento de campanhas eleitorais — material de propaganda, santinhos, programas de rádio/TV, viagens de candidatos e equipes, contratação de pessoal de campanha, estrutura logística etc. Não pode ser usado para manutenção permanente de sedes ou estrutura administrativa do partido. Os partidos definem internamente a distribuição aos candidatos (respeitando cotas de gênero — mínimo 30% para candidaturas femininas — e raça), e prestam contas ao TSE.
-Critérios de distribuição:
-2% igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no TSE;
-35% proporcional aos votos na última eleição para a Câmara (partidos com pelo menos 1 deputado);
-48% proporcional ao número de deputados federais;
-15% proporcional ao número de senadores.
Baseado nos resultados de 2022 (com retotalizações até junho do ano eleitoral).
RESUMO COMPARATIVO

