Como ditaduras se disfarçam de democracia

Pátria e Defesa App avatar   
Pátria e Defesa App
Confira alguns exemplos

De acordo com os dados mais recentes (referentes a 2024), existem 91 autocracias (sendo 56 eleitorais e 35 fechadas) contra 88 democracias (29 liberais e 59 eleitorais), invertendo a situação do ano anterior.O relatório utiliza como principais indicadores de uma democracia saudável a separação de poderes e a liberdade de imprensa, considerados verdadeiros termômetros da qualidade de uma sociedade livre.

Entre esses regimes, há nações que ostentam o rótulo de “democracia” em sua identidade oficial, mas na prática estão bem distantes do significado original do termo — que vem do grego demokratia (povo + governo), ou seja, governo do povo.

Essa confusão conceitual ganhou força no século XX, especialmente com o líder da Revolução Russa de 1917, Vladimir Lênin. Ele adotou uma retórica “democrática” com o objetivo de derrubar as elites tradicionais e a classe média, estimulando um fervor revolucionário.

No entanto, após a queda do Czar Nicolau II e a ascensão dos comunistas ao poder, essa promessa democrática revelou-se vazia: os novos governantes mantiveram um regime autoritário, sem permitir qualquer participação real da população.Mesmo no século XXI, vários países comandados por líderes autoritários insistem em se apresentar como democráticos, embora não pratiquem na realidade os princípios dessa forma de governo.

Alguns exemplos incluem:

República Popular da China

A China não tem a democracia em seu nome oficial, no entanto a tentativa de mostrar participação popular está em sua Constituição, no artigo 1º, que cita o país como uma “ditadura democrática do Povo”.

“A República Popular da China é um Estado socialista sob a ditadura democrática do povo, liderada pela classe trabalhadora e baseada na aliança entre operários e camponeses”, diz o texto.

Apesar de ser uma das grandes potências econômicas do mundo, o governo de Xi Jinping é reconhecidamente autoritário, com inúmeros episódios de perseguição religiosa e desaparecimentos de autoridades.

Coreia do Norte

A ditadura norte-coreana, liderada por Kim Jong-Un, recebe o nome oficial de República Popular Democrática da Coreia. Apesar do título, o país vive sob um regime totalitário, marcado pela pobreza e repressão estatal.

A Coreia do Norte é classificada como um dos países mais pobres do mundo. Estimativas recentes da CIA World Factbook projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país seja de cerca de US$ 1.700 (R$ 8,2 mil). O do Brasil, para efeito de comparação, é de US$ 14.600 (R$ 70 mil na cotação atual).

O país, representado por um líder supremo, tem sua diplomacia fechada a poucos aliados, entre eles a Rússia, de Vladimir Putin, e a China, do ditador Xi Jinping. De acordo com a ONU, aproximadamente 40% da população norte-coreana sofre com a má nutrição e dois terços dos norte-coreanos vivem à base dos alimentos distribuídos pelo Estado.

República Democrática do Congo

O Congo é o segundo maior país da África e é também considerado um dos mais pobres do mundo.

Em 2003, a nação africana enfrentou uma guerra civil e até hoje sofre os impactos dos confrontos entre diferentes etnias e disputas por recursos naturais.

Segundo a ONU, com mais de 5 milhões de deslocados, o país está no nível mais alto de emergência em termos de ajuda humanitária.

República Democrática da Etiópia

Outro extenso país da África, que está longe de ser uma democracia, mas leva o seu título, é a Etiópia.

Depois da Nigéria, é o país com a maior população do continente africano, com mais de 120 milhões de habitantes. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país pode se tornar a terceira maior economia da África sub-sahariana, porém a nação enfrenta graves problemas devido a crises políticas, problemas climáticos naturais e um conflito armado de dois anos no Tigré, no norte do país.

Outros países

Além destes, outros países que se apresentaram como democráticos, mas não estão nas principais listas que medem as democracias no mundo, como o Ranking de Democracia da revista britânica The Economist e o relatório anual produzido pelo instituto sueco V-Dem, estão na África e na Ásia. São eles o Laos, Nepal, São Tomé e Príncipe, Sri Lanka e Timor-Leste. Todos possuem em comum obstáculos em relação à economia, além de uma série de problemas políticos e sociais.

Em resumo, o uso frequente de “democrático” ou “popular” em nomes oficiais é, na maioria das vezes, o oposto da realidade: uma ironia que mascara o autoritarismo e tenta enganar tanto a população local quanto a opinião global.

reginaldod
reginaldod 7 dana prije
Pois é, e tem gente que não crê nisso ou se faz de incrédulo achando que tudo se resolve por si só...
1 0 Odgovor
Prikaži više