O setor público consolidado –formado por União, Estados, municípios e estatais– fechou com um rombo fiscal acima de R$ 1 trilhão pelo 3º ano seguido. O deficit nominal acumulado em 2025 foi de R$ 1,076 trilhão. Havia sido de R$ 1,074 trilhão em 2023 e de R$ 1,065 trilhão em 2024. Os valores foram corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), com referência em dezembro de 2025.

Em valores corrigidos pela inflação, o setor público consolidado gastou R$ 1,023 trilhão com juros da dívida. O valor está relacionado com a taxa básica, a Selic, em 15% ao ano desde junho. Os juros mais altos encarecem o custo da dívida.
Com a dívida pública federal crescendo R$ 2,79 trilhões em 2025, os agentes financeiros incorporam fatores de riscos no cenário econômico de longo prazo. Os investidores entendem que o governo está expandindo gastos, o que impulsiona a economia e impôs desafios para a política monetária.

Quanto maior a Selic, mais caro fica para o governo pagar os juros da sua própria dívida. O BC aumentou o juro base para 15% ao ano para frear a economia, que mostra forte aquecimento no mercado de trabalho e pressões inflacionárias que levam o IPCA para fora do intervalo da meta de 3%.
O governo aumenta o endividamento e também piorou a trajetória do saldo das contas. O setor público consolidado registrou deficit primário –que exclui os juros da dívida– de R$ 53,3 bilhões, em valores reais, em 2025. O saldo negativo aumentou 6,7% em relação a 2024 em termos reais.
