Amigos, alianças e modelos de Estado: o que as relações internacionais revelam sobre Lula e Bolsonaro?
Uma análise das aproximações diplomáticas dos dois principais líderes políticos do Brasil e o que elas podem indicar sobre suas diferentes visões de mundo
Por Editorial Pátria e Defesa
# O velho ditado continua atual: diga-me com quem andas...
Na política internacional, raramente uma fotografia é apenas uma fotografia.
Quando um chefe de Estado escolhe quais governos visita, quais líderes recebe em seu país, quais regimes elogia ou quais nações critica, ele envia mensagens políticas ao mundo inteiro.
Naturalmente, relações diplomáticas existem entre países com diferentes governos. Isso faz parte da política externa de qualquer nação. Entretanto, existe uma diferença entre manter relações institucionais e demonstrar aproximação política, ideológica ou simbólica.
Ao longo das últimas duas décadas, *Luiz Inácio Lula da Silva* e *Jair Bolsonaro*, os dois políticos que mais marcaram a história recente do Brasil, construíram redes internacionais bastante distintas.
Essas aproximações permitem compreender não apenas preferências diplomáticas, mas também prioridades políticas, econômicas e institucionais.
É justamente essa comparação que este editorial se propõe a analisar.
# As alianças internacionais de Lula
Durante seus mandatos, Lula buscou fortalecer a atuação brasileira no chamado *Sul Global*, ampliando relações com países emergentes e defendendo uma ordem internacional multipolar.
Entre os líderes com quem manteve relações próximas ou frequentes ao longo de sua trajetória estão nomes como:
* Nicolás Maduro (Venezuela)
* Miguel Díaz-Canel (Cuba)
* Daniel Ortega (Nicarágua)
* Hugo Chávez (Venezuela)
* Evo Morales (Bolívia)
* Xi Jinping (China)
* Vladimir Putin (Rússia)
* Mahmoud Ahmadinejad (Irã)
* Bashar al-Assad (Síria)
* Muammar Gaddafi (Líbia)
* Fidel Castro e Raúl Castro (Cuba)
Nem todos esses relacionamentos ocorreram ao mesmo tempo nem possuem o mesmo grau de proximidade política. Alguns foram exclusivamente diplomáticos; outros envolveram manifestações públicas de apoio ou cooperação política.
Entretanto, chama atenção um elemento recorrente: muitos desses governos aparecem, há anos, entre os mais criticados por organizações internacionais de direitos humanos.
Diversos deles acumulam acusações relacionadas a:
* restrições à liberdade de imprensa;
* perseguição de opositores;
* concentração de poder;
* limitações eleitorais;
* prisão de dissidentes;
* censura na internet;
* violações de direitos humanos.
Em vários casos — como Cuba, Venezuela e Nicarágua — organizações internacionais classificam seus regimes como autoritários ou híbridos, enquanto outros, como China e Irã, apresentam severas restrições às liberdades civis.
Isso não significa, necessariamente, que Lula compartilhe todas as práticas desses governos. Entretanto, seus críticos argumentam que sua disposição em manter relações políticas amistosas com esses líderes transmite uma mensagem simbólica importante.
# A visão defendida pelo campo lulista
Os apoiadores do presidente afirmam que essa política externa possui outros objetivos.
Segundo essa interpretação, o Brasil deve dialogar com todos os países, independentemente do regime político, buscando fortalecer sua autonomia internacional.
Também defendem:
* fortalecimento do BRICS;
* redução da dependência econômica dos Estados Unidos;
* maior protagonismo do Sul Global;
* reforma das instituições internacionais;
* multipolaridade.
Na visão de seus apoiadores, essas alianças representam pragmatismo diplomático e defesa da soberania nacional.
Na visão de seus críticos, representam complacência com governos autoritários.
# As alianças internacionais de Jair Bolsonaro
