Estatais acumulam déficit de R$ 6,2 bilhões e pressionam caixa do governo
Os Correios mergulharam em uma crise financeira ainda mais grave e acumularam prejuízo de R$ 6 bilhões até setembro deste ano, quase três vezes maior que o rombo de R$ 2,1 bilhões registrado no mesmo período de 2024.
O balanço do terceiro trimestre foi aprovado nesta sexta-feira (28) pelo conselho de administração da estatal. A combinação de queda de receitas, alta das despesas operacionais e o impacto de novas condenações trabalhistas e judiciais explica o agravamento das contas.
Nos bastidores, avançaram as tratativas com um consórcio formado por bancos públicos e privados para a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional. A direção da empresa ainda negocia melhores condições, mas a expectativa do governo é assinar o contrato já na próxima semana, sob o argumento de que a operação é vital para impedir o colapso operacional dos Correios.
Os recursos serão liberados em parcelas, para evitar que o dinheiro fique parado no caixa rendendo juros negativos; grande parte só será usada a partir de 2026. A única condição inegociável é que a primeira fatia, também de R$ 20 bilhões, seja depositada ainda em dezembro. O financiamento terá prazo de 15 anos e carência mínima de dois anos para o início do pagamento.
A volta ao lucro só é projetada para 2027, depois da implementação completa do plano de reestruturação. Entre as medidas previstas estão a adesão de pelo menos 10 mil empregados a um programa de demissão voluntária e o fechamento de no mínimo mil agências. Sem essas ações, a estimativa é de que o prejuízo em 2026 alcance R$ 23 bilhões.
Para o longo prazo, a estatal avalia a abertura de capital com manutenção do controle acionário pela União, a criação de joint ventures em áreas específicas e até a venda de participações minoritárias como formas de captar recursos e garantir a sobrevivência da empresa.
Estatais acumulam déficit de R$ 6,2 bilhões e pressionam caixa do governo
As estatais federais fecharam o período de janeiro a outubro com um saldo negativo de R$ 6,35 bilhões, segundo informações divulgadas pelo BC (Banco Central) nesta sexta-feira (28).
O valor indica que, no conjunto, essas empresas gastaram mais do que foram capazes de arrecadar ao longo de 2025. Só em outubro, o rombo foi de mais de R$ 140 milhões.
O desempenho ruim já se aproxima do resultado de todo o ano passado, em R$ 6,7 bilhões, até então o pior da série iniciada em 2002. O levantamento do BC considera apenas a variação da dívida, metodologia usada em comparações internacionais, e não inclui Petrobras, Eletrobras nem instituições financeiras.
O cálculo incorpora empresas como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea.